Quando visitei a Alemanha pela primeira vez, no verão europeu de 2005, passei os últimos dias da viagem em Frankfurt am Main. Na cidade do Goethe, meu passatempo predileto era contemplar o pôr-do-sol na Opernplatz, enquanto saboreava um belo sorvete. Das escadas do Alte Oper gostava de ver a vida passar de um lado para outro, por vezes calma, tranqüila, por vezes apressada. Naquele final de julho estava em cartaz no imponente teatro o espetáculo “Tristão e Isolda”. Interessante foi observar os espectadores da famosa ópera. Gente de todo tipo adentrava o Alte Oper para apreciar a obra do compositor alemão Richard Wagner. De sisudos senhores e senhoras caprichosamente bem trajados, a jovens ruidosamente descontraídos, passando por belas e exuberantes mulheres escandalosamente vestidas e seus acompanhantes metidos em smokings de corte impecável. De todos esses tipos, os adolescentes foram os que mais me chamaram atenção. Traziam na cara, nos cabelos, na pele e nas roupas os sinais das tribos às quais pertenciam. Fiquei, então, a imaginar se na minha terra, que é a mesma do Castro Alves, uma ópera atrairia tantos jovens assim. Esperei cinco anos para comprovar que sim. segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Muito além do chinfrim: O Barbeiro de Sevilha em Salvador.
Quando visitei a Alemanha pela primeira vez, no verão europeu de 2005, passei os últimos dias da viagem em Frankfurt am Main. Na cidade do Goethe, meu passatempo predileto era contemplar o pôr-do-sol na Opernplatz, enquanto saboreava um belo sorvete. Das escadas do Alte Oper gostava de ver a vida passar de um lado para outro, por vezes calma, tranqüila, por vezes apressada. Naquele final de julho estava em cartaz no imponente teatro o espetáculo “Tristão e Isolda”. Interessante foi observar os espectadores da famosa ópera. Gente de todo tipo adentrava o Alte Oper para apreciar a obra do compositor alemão Richard Wagner. De sisudos senhores e senhoras caprichosamente bem trajados, a jovens ruidosamente descontraídos, passando por belas e exuberantes mulheres escandalosamente vestidas e seus acompanhantes metidos em smokings de corte impecável. De todos esses tipos, os adolescentes foram os que mais me chamaram atenção. Traziam na cara, nos cabelos, na pele e nas roupas os sinais das tribos às quais pertenciam. Fiquei, então, a imaginar se na minha terra, que é a mesma do Castro Alves, uma ópera atrairia tantos jovens assim. Esperei cinco anos para comprovar que sim. quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Colaboração de Aline Lombello

Pablo Neruda
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
domingo, 5 de setembro de 2010
Poema Falado: Ideias Íntimas (Lira dos vinte anos)

De acordo com a filosofia, o desejo pode ser entendido como uma tensão em direção a um fim considerado uma fonte de satisfação pela pessoa que deseja. Trata-se, pois, de uma tendência algumas vezes consciente, outras vezes inconsciente ou reprimida. Quando consciente, o desejo se configura como uma atitude mental que acompanha a representação do fim esperado. Este, por sua vez, nada mais é do que o conteúdo mental relativo ao ato de desejar. O desejo não pode ser confundido com a necessidade fisiológica ou psicológica que o acompanha por ser o elemento afetivo destes. Na tradição filosófica, o desejo pressupõe carência, indigência. Um ser que não caressesse de nada não desejaria nada. Este ser seria um perfeito, um deus, portanto. Por isso Platão e os filósofos cristãos conceberam o desejo como uma característica de seres finitos e imperfeitos. O Poema Falado deste mês discorre sobre o desejo de amor e gozo por meio dos magníficos versos do Álvares de Azevedo: "Oh! ter vinte anos sem gozar de leve / A ventura de uma alma de donzela! / E sem na vida ter sentido nunca / Na suave atração de um róseo corpo / Meus olhos turvos se fechar de gozo! / Oh! nos meus sonhos, pelas noites minhas / Passam tantas visões sobre meu peito! / Palor de febre meu semblante cobre, / Bate meu coração com tanto fogo"! Boa Leitura.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Metade

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos
suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
domingo, 1 de agosto de 2010
Poema Falado - Depois do Filme

terça-feira, 20 de julho de 2010
Bienvenue-Ami
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Poema Falado: Pensamentos e Le patrimoine

sexta-feira, 18 de junho de 2010
Perdemos José Saramago!
José Saramago morre aos 87 anos.

"Pensar, pensar
Junho 18, 2010 por Fundação José Saramago
Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.
Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008"
José Saramago morreu em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença.O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila, em casa, nas Ilhas Canárias, às 12.30 horas desta sexta-feira.
Biografia
Prêmio Nobel de Literatura em 1998, primeiro escritor de língua portuguesa a obter a honraria, Saramago mostrou ao longo de sua vida uma paixão duradoura pela literatura.
Seus livros são marcados pelos períodos longos e pela pontuação em muitos momentos quase inexistente. Os artifícios formais são vistos como verdadeira barreira para vários leitores, mas outros se encantam com a fluidez de seus textos, sempre entremeados por reflexões fortemente humanistas.
Nascido em 16 de novembro de 1922, em aldeia do Ribatejo chamada Azinhaga, de família humilde, Saramago só veio a produzir sua primeira obra de sua fase mais madura em 1980, "Levantado do Chão".
Dois anos depois, "Memorial do Convento" o colocou como um dos maiores autores de Portugal, posição confirmada com o lançamento do inventivo "O ano da morte de Ricardo Reis", em que narra os dias finais do heterônimo de um dos pilares da literatura de seu país: Fernando Pessoa, em uma criativa mescla de fatos reais e imaginados.
Saramago era um autor prolífico. Além de romances, publicou diários, contos, peças, crônicas e poemas. Ainda em 2009, lançou mais um livro, "Caim".
Esta obra retoma um personagem bíblico, subvertendo a versão oficial da Igreja Católica. Em 1991, seu "Evangelho segundo Jesus Cristo" dispôs de artifício semelhante. A "reescrita" do ateu convicto de esquerda não agradou aos religiosos, provocando grande polêmica em uma nação fortemente católica.
No ano seguinte, o livro foi indicado a um prêmio, mas o governo português vetou a candidatura. Insatisfeito, Saramago partiu para um "exílio voluntário" na espanhola Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde vivia desde 1993.
Outro de seus romances, "Ensaio sobre a Cegueira", narra uma epidemia em que os personagens perdem a visão, enquanto uma mulher a mantém. A obra, uma das mais conhecidas do português, foi adaptada para o cinema pelas mãos do diretor brasileiro Fernando Meirelles. O filme foi exibido no Festival de Cannes.
Atualmente Saramago estava preparando um livro sobre a indústria do armamento. "Todo mundo tem armas, vivemos numa sociedade de violência, que é aceita e a televisão está nos dizendo todos os dias que a vida humana não tem nenhuma importância", afirmou, em entrevista em novembro.
Veja livros publicados por Saramago
Terra do Pecado, 1947
Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
Levantado do Chão, 1980
Memorial do Convento, 1982
O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
A Jangada de Pedra, 1986
História do Cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio Sobre a Cegueira, 1995
Todos os Nomes, 1997
A Caverna, 2000
O Homem Duplicado, 2002
Ensaio Sobre a Lucidez, 2004
As Intermitências da Morte, 2005
A Viagem do Elefante, 2008
Caim, 2009
Peças Teatrais
"A Noite" (1979)"
Que Farei com Este Livro?" (1980)"
A Segunda Vida de Francisco de Assis" (1987)"
In Nomine Dei" (1993)"
Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido" (2005)
Contos"Objeto Quase" (1978)"
Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido" (1979)"
O Conto da Ilha Desconhecida" (1997)Poemas"
Os Poemas Possíveis" (1966)"
Provavelmente Alegria" (1970)"
O Ano de 1993" (1975) Crônicas "
Deste Mundo e do Outro" (1971)"
A Bagagem do Viajante" (1973)"
As Opiniões que o DL Teve" (1974)"
Os Apontamentos" (1976)"
Viagens a Portugal" (1981) "
Retirada algumas informações do: http://ultimosegundo.ig.com.br e
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Poema Falado: Drummond e Rimbaud
“Teu desejo inclui e é senhor do meu; vida a meus pensamentos dentro de seu coração é dada; minhas palavras começam a respirar sobre teu hálito...por que devo procurar apaziguar desejo intenso com ainda mais lágrimas e palavras sopradas de dor, quando o céu, mais tarde ou mais cedo, não manda alívio para almas a quem o amor vestiu com fogo”? (Michelângelo)A homossexualidade é mais velha que a humanidade, tendo florescido entre nossos ancestrais hominídeos. Pesquisas antropológicas em sociedades pré-históricas estabeleceram que relações entre indivíduos do mesmo sexo eram permissíveis e, ainda, desempenhavam papel crucial no ritual de passagem masculino. Arqueólogos, investigando as civilizações da Suméria, Mesopotâmia e Egito, descobriram evidências de que o amor homossexual era vital para a integridade do tecido social.
O status privilegiado da homossexualidade na Grécia antiga é conhecido, mas o “amor grego” era um ideal importante também para a militarista Roma. Na China e na Índia da antiguidade, assim como no Império Islâmico, o amor pelo mesmo sexo era respeitado e honrado. Na Renascença, a homossexualidade floresceu em sociedades abertas com a florentina.
Se desde o início a Igreja lutou contra o amor pelo mesmo sexo, era porque ele estava [e ainda está] por toda parte a sua volta [nas diversas ordens religiosas, masculinas e femininas], nas congregações e entre seus próprios sacerdotes. A homossexualidade ameaçava sua autoridade. Onde quer que tenha havido tirania e totalitarismo, o amor pelo mesmo sexo foi reprimido [talvez pelo seu caráter intrinsecamente libertário]. Da Espanha de Ferdinando e Isabella ao Reich nazista. De Santo Agostinho ao senador americano Joseph McCarthy, ideólogos acharam na “anormalidade” sexual um sinal claro de heterodoxia doutrinal ou política.
Mas apesar da discriminação, da perseguição e da violência de que foram vítimas, homens e mulheres ao longo da história e em todo o mundo defenderam seu direito à diferença. Seja encontrando-se furtivamente em mosteiros e conventos na Europa medieval, ou mais abertamente em clubes e bares de nossas cidades contemporâneas. Seja engajados nos exércitos sem poder revelar suas identidades sexuais, seja proclamando-as nas manifestações pelos direitos homossexuais que ocorrem freqüentemente na maioria dos países do Ocidente (por Colin Spencer. In: Homossexualidade, uma história).
Imagem: Ricardo Santos
sábado, 1 de maio de 2010
Poema Falado: O guardador de águas

“Esse é Bernardo. Bernardo da Mata. Apresento. Ele faz encurtamento de águas. Apanha um pouco de rio com as mãos e espreme nos vidros até que as águas se ajoelhem do tamanho de uma lagarta nos vidros. No falar com as águas rãs o exercitam. Tentou encolher o horizonte no olho de um inseto - e obteve! Prende o silêncio com fivela. Até os caranguejos querem ele para chão. Viu as formigas carreando na estrada duas pernas de ocaso para dentro de um oco... E deixou. Essas formigas pensavam em seu olho. É homem percorrido de existências. Estão favoráveis a ele os camaleões. Espraiado na tarde - Como a foz de um rio - Bernardo se inventa... Lugarejos cobertos de limo o imitam. Passarinhos aveludam seus cantos quando o vêem”.