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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Muito EROS! Dedicado a uma amiga muito amada.




"Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram." (Drummond)

Antes vamos consultar nossa wikipédia e saber qual a definição para Amor e Lascívia:
A palavra amor (do latim amor) presta-se a múltiplos significados na língua portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e alimentar as estimulações sensoriais e psicológicas necessárias para a sua manutenção e motivação.

A palavra Lascívia(do grego)aselgeia que significa licenciosidade sensualidade exagerada.
Definição de Lascívia no Aurélio:
Sensual, libidinoso, lúbrico; desregrado; luxúria.
Luxúria: Dissolução, corrução, libertinagem, Incontinência.



Amor X Lascívia





Objeto de Amar
(Adélia Prado)
De tal ordem é e tão precioso
o que devo dizer-lhes
que não posso guardá-lo
sem que me oprima a sensação de um roubo:
cu é lindo!
Fazei o que puderdes com esta dádiva.
Quanto a mim dou graças
pelo que agora sei
e, mais que perdôo, eu amo.

As Sem-Razões do Amor
(Carlos Drummond de Andrade)
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo Amor é estado de graça e com amor não se paga.
Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Sugar e ser sugado pelo amor
(Carlos Drummond de Andrade )

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusãoo lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.

A lingua que Lambe
(Carlos Drummond de Andrade )

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta;
a língua lavracerto oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

As mulheres gulosas
(Carlos Drummond de Andrade)
As mulheres gulosas
que chupam picolé
— diz um sábio que sabe —
são mulheres carentese o chupam lentamente
qual se vara chupassem,
e ao chupá-lo já sabem
que presto se desfaz
na falácia do gozoo picolé fuginte
como se esfaz na mente
o imaginário pênis.
Sob o chuveiro de amar
(Carlos Drummond de Andrade)

Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo - é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou
nos tornamos fontes?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

De Coccinelle para Bienvenue-Ami.



O MUNDO É GRANDE
(Carlos Drummond de Andrade)

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

(do livro AMAR SE APRENDE AMANDO)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Bel, Colaboradora em férias e colaborando!!! Boas férias Belzinha!!




A Hora do Cansaço



As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poderde respirar a eternidade.


Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.


Do sonho de eterno fica esse gosto acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.



REFERÊNCIA: Carlos Drummond de Andrade em Corpo de 1984

Contribuição de Aleph.





Amar


Que pode uma criatura senão;
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e mal
amar,amar,
desamar,amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?


Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar tambem, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisao de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inospito, o áspero,um vaso sem flor,
um chao de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuido pelas coisas perfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidao,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.


Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implicita, e o beijo tácito, e a sede infinita.



Sobre o poema de Drummond, a liberdade poetica foi demais, sorry...conseguiresgatá-lo na integra, foi publicado em Claro enigma, econsta da Seleta em Prosa e Verso p.163, 1973. Record



O que lembra Cecilia,

"Pus meus sonhos num barquinho,
e meu barquinho em cima do mar
abri o mar com as maos,
para o meu barquinho navegar..."



Fico devendo Cecilia...