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quinta-feira, 12 de março de 2009

Colaboração de Bel.


Momento
(abril de 1937)

O vento corta os seres pelo meio.
Só um desejo de nitidez ampara o mundo...
Faz sol. Fez chuva. E a ventania
Esparrama os trombones das nuvens no azul.

Ninguém chega a ser um nessa cidade,
As pombas se agarram nos arranha-céus, faz chuva.
Faz frio. E faz angústia... É este vento violento
Que arrebenta dos grotões da terra humana
Exigindo céu, paz e alguma primavera.

REFERÊNCIA: MARIO DE ANDRADE em A Costela do Grão Cão Poesias Completas 1987 pág.319.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Colaboração de Bel dedicada a São Paulo.


São Paulo comemora os 454 anos de sua fundação, em 25/01.


Parabéns a você Bel e todos os paulistanos, baianos, paraibanos, japoneses, italianos, portugueses etc. Ou seja, PARABÉNS a todas essas misturas de naturalidades e nascionalidades que fazem de São Paulo essa cidade de Brasil e de Mundo!! Viva a São Paulo!!!





INSPIRAÇÃO

São Paulo! comoção de minha vida...
Os meus amores são flores feitas de original...
Arlequinal!...Traje de losangos...Cinza e ouro...
Luz e bruma...Forno e inverno morno...
Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes...
Perfumes de Paris... Arys!
Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!...

São Paulo! comoção de minha vida...
Galicismo a berrar nos desertos da América!

REFERÊNCIA: Mário de Andrade em DE PAULICEIA DESVAIRADA de


Quando eu morrer

Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
O meu coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram ,
As tripas atiram pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

Referência: Mario de Andrade em Lira Paulistana de