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domingo, 11 de abril de 2010

I Marcha Nacional contra a Homofobia - 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia.



A Direção da Associação Brasileira de Lésbicas , Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT, reunida em 02 de março de 2010, resolveu convocar todas as pessoas ativistas de suas 237 organizações afiliadas, assim como organizações e pessoas aliadas, para a I Marcha Nacional contra a Homofobia, vinda de todas as 27 unidades da federação, tendo como destino a cidade de Brasília. No dia 19 de maio de 2010, será realizado o 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia, com concentração às 9 Horas, no gramado da Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral metropolitana de Brasília.


Em 17 de maio é comemorado em todo o mundo o Dia Mundial contra a Homofobia (ódio, agressão, violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT). A data é uma vitória do Movimento que conseguiu retirar a homossexualidade da classificação internacional de doenças da Organização Mundial de Saúde, em 17 de maio de 1990.

No Brasil , todos os dias , 20 milhões de brasileiras e brasileiros assumidamente lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais -LGBT têm violados os seus direitos humanos, civis , econômicos, sociais e políticos. “Religiosos” fundamentalistas, utilizam-se dos Meios de Comunicação públicos, das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara Federal e Senado para pregar o ódio aos cidadãos e cidadãs LGBT e impedir que o artigo 5 da Constituição federal ( “todos são iguais perante a lei") seja estendido aos milhões de LGBT do Brasil. Sem nenhum respeito ao Estado Laico, os fundamentalistas religiosos utilizam-se de recursos e espaços públicos (escolas, unidades de saúde, secretarias de governo, praças e avenidas públicas, auditórios do legislativo, executivo e judiciário) para humilhar, atacar, e pregar todo seu ódio contra cidadãos e cidadãs LGBT. O resultado desse ataque dos Fundamentalistas religiosos tem sido:

- O assassinato de um LGBT a cada dois no Brasil (dados do Grupo Gay da Bahia - GGB) por conta de sua orientação sexual (Bi ou Homossexual) ou identidade de gênero (Travestis ou Transexuais);

- O Congresso Nacional não aprova nenhuma lei que garanta a igualdade de direitos entre cidadãos(ãs) Heterossexuais e Homossexuais no Brasil;

- O Supremo Tribunal Federal não julga as Arguições de Descumprimento de Preceitos Fundamentais e Ações Diretas de Inconstitucionalidade que favoreçam a igualdade de direitos no Brasil;

- O Executivo Federal não implementa na sua totalidade o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT;

- Centenas de adolescentes e jovens LGBT são expulsos diariamente de suas casas;

- Milhares de LGBT são demitidos ou perseguidos no trabalho por discriminação sexual;

- Travestis, Transexuais, Gays e Lésbicas abandonam as escolas por falta de uma política de respeito à diversidade sexual nas escolas brasileiras;

- Os orçamentos da união, estados e municípios, nada ou pouco contemplam recursos para ações e políticas públicas LGBT;

O Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais precisam pactuar e colocar em prática a Política Integral da Saúde LGBT. As Secretarias de Justiça, Segurança Pública, Direitos Humanos e Guardas-Municipais não possuem uma política permanente de respeito ao público vulnerável LGBT, agredindo nossa comunidade, não apurando os crimes de homicídios e latrocínios contra LGBT e nem prendendo seguranças particulares que espancam e expulsam LGBT de festas, shoppings, e comércio em geral.

A 1ª Marcha Nacional LGBT exige das autoridades Públicas Brasileiras :

- Garantia do Estado Laico (Estado em que não há nenhuma religião oficial, as manifestações religiosas são respeitadas, mas não devem interferir nas decisões governamentais)

- Combate ao Fundamentalismo Religioso.

- Executivo: Cumprimento do Plano Nacional LGBT na sua totalidade, especialmente nas ações de Educação, Saúde, Segurança e Direitos Humanos, além de orçamentos e metas definidas para as ações.

- Legislativo: Aprovação imediata do PLC 122/2006 (Combate a toda discriminação, incluindo a homofobia).

- Judiciário: Decisão Favorável sobre União Estável entre casais homoafetivos, bem como a mudança de nome de pessoas transexuais.

Viva a

I Marcha Nacional LGBT contra a Homofobia no Brasil.

1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia

Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT

Postado por Coccinelle

domingo, 31 de janeiro de 2010

Poema Falado.

Iemanjá: senhora e rainha do mar.

Na tradição do candomblé, Iemanjá é a mãe suprema, pois de seu ventre nasceram todos os orixás. De acordo com Pierre Verger (Orixás. São Paulo: Corrupio, 1981), “Iemanjá, é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemanjá. As guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. Não lhes foi possível levar o rio, mas, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do axé da divindade, e o rio Ogun, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá. Este rio Ogun não deve, entretanto, ser confundido com Ogun, o orixá do ferro e dos ferreiros”. No Brasil, o culto a Iemanjá voltou-se para as águas salgadas. Aqui, seus fiéis voltam-se, preferencialmente, para os mares quando desejam dirigir pedidos à grande mãe. E Iemanjá jamais nega um pedido de quem o faz com o coração limpo, como já demonstrou o Dorival Caymmi quando escreveu: “Eu mandei um bilhete pra ela pedindo para ela me ajudar. Ela, então, me respondeu que eu tivesse paciência de esperar. O presente que eu mandei pra ela de cravos e rosas vingou”. Como se pode perceber o segredo é ter paciência de esperar para que o presente vingue. E ele sempre vinga.




A Festa para Iemanjá no Rio Vermelhor-Salvador-Bahia

Excepcionalmente, o Poema Falado de fevereiro está a ser publicado não no primeiro domingo do mês, mas, sim, na primeira segunda-feira, pois amanhã será o grande dia, o dia de Iemanjá. Para homenageá-la, o poema “Canto de Iemanjá”, do Vinícius de Moraes: “Iemanjá, lemanjá. lemanjá é dona Janaína que vem. Iemanjá, Iemanjá. lemanjá é muita tristeza que vem. Vem do luar no céu. Vem do luar no mar coberto de flor, meu bem, de Iemanjá. De lemanjá a cantar o amor e a se mirar na lua triste no céu, meu bem, triste no mar. Se você quiser amar, se você quiser amor, vem comigo a Salvador para ouvir lemanjá, a cantar, na maré que vai e na maré que vem. Do fim, mais do fim, do mar. Bem mais além. Bem mais além do que o fim do mar. Bem mais além”. Vale a pena conferir o vídeo abaixo, nosso presente para Iemanjá, senhora e rainha do mar. Louvemos, então, Iemanjá! Odóiyá! (por Sílvio Benevides, Coccinelle e Papillon).

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Colaboração de Coccinelle.


Orgasmo

(Liz Christine)


Sexo

adorável

palavra

Ato

delicioso

incansável

Corpo

curvas derrapantes

maravilhoso

Você

estou condenada

você é a culpada

De desejos ardentes

Noite gelada

Inverno na madrugada

Parece verão

Corpo febril

Culpa da paixão

Seu rosto infantil

Sorrindo

Não pare...


Estou quase atingindo.




Masturbação

(Maria Tereza Horta)



Eis o centro do corpo

o nosso centro

onde os dedos escorregam devagar

e logo tornam onde nesse

centro

os dedos esfregam - correm

e voltam sem cessar

e então são os meus

já os teus dedos

e são meus dedos

já a tua boca

que vai sorvendo os lábios

dessa boca

que manipulo - conduzo

pensando em tua boca

Ardência funda

planta em movimento

que trepa e fende fundidas

já no tempo

calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo

é esse movimento

que trepa e fende fundidas

já no tempo

calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo

é esse movimento

em torno

em volta

no centro desses lábios

que a febre toma

engrossa

e vai cedendo a pouco e pouco

nos dedos e na palma

domingo, 29 de novembro de 2009

Colabaroção de Coccienelle


A MINHA AMANTE
(Judith Teixeira)

Dizem que eu tenho amores contigo!
Deixa-os dizer!…
Eles sabem lá o que há de sublime
Nos meus sonhos de prazer…
De madrugada, logo ao despertar,
Há quem me tenha ouvido gritar
Pelo teu nome…

Dizem
- e eu não protesto -
Que seja qual for o meu aspecto
tu estás
na minha fisionomia
e no meu gesto!

Dizem que eu me embriago toda em cores
Para te esquecer…
E que de noite pelos corredores
Quando vou passando para te ir buscar,
Levo risos de louca, no olhar!

Não entendem dos meus amores
contigo


- Não entendem deste luar de beijos…
- Há quem lhe chame a tara perversa,
Dum ser destrambelhado e sensual!
Chamam-te o génio do mal -
O meu castigo…
E eu em sombras alheio-me dispersa…
E ninguém sabe que é de ti que eu
vivo…


Que és tu que doiras ainda,
O meu castelo em ruína…
Que fazes da hora má, a hora linda
Dos meus sonhos voluptuosos -
Não faltes aos meus apelos dolorosos
- Adormenta esta dor que me domina!




SAUDADE
(Judidith Teixeira )

Segue-me noite e dia o teu desejo!...
Oiço a tua voz rúbida e cantante
Suplicar-me a carícia do meu beijo,
numa teima exigente e perturbante!

E o meu corpo vencido, dominado,
vai tombar doloroso, inconsciente,
sobre a lembrança morna do passado
- e fica-se a sonhar... perdidamente!

domingo, 4 de outubro de 2009

Poema Falado-Oração pela Paz


Oração – “Oh Senhor, faze de mim um instrumento da tua paz: / Onde há ódio, faze que eu leve Amor; / Onde há ofensa, faze que eu leve Perdão; / Onde há discórdia, que eu leve União; / Onde há dúvida, que eu leve a Fé; / Onde há erro, que eu leve a Verdade; / Onde há desespero, que eu leve a Esperança; / Onde há tristeza, que eu leve a Alegria; / Onde há trevas, que eu leve a luz. / Oh Mestre, faze que eu procure menos / Ser consolado do que consolar; / Ser compreendido do que compreender; / Ser amado do que amar. / Porquanto é dando que se recebe; / É perdoando que se é perdoado; / É morrendo que se ressuscita para a Vida Eterna” (tradução de Manuel Bandeira).

São Francisco de Assis (1181-1226) é venerado em todo o mundo como uma das figuras das quais mais nos orgulhamos. Na sua biografia se tornaram visíveis e possíveis sonhos carregados ao longo de toda a vida e acalentados no fundo de nosso coração: uma relação amorosa e terna com Deus, Pai e Mãe de infinita bondade, um amor simples a todas as coisas, vivenciadas como irmãos e irmãs; uma discreta reconciliação entre os impulsos do coração e as exigências do pensamento, feitos próximos, e dos próximos feitos irmãos; uma aceitação jovial daquilo que não podemos mudar; uma inocente liberdade em face das ordens e regras estabelecidas; uma alegra acolhida da morte como amiga da vida.

São Francisco inundou a esfera humana de espírito de benquerença, fraternura e paz, que continuou a ressoar com o passar dos tempos até nossos dias. Em sua homenagem igrejas, cidades, escolas, rios, instituições e pessoas carregam o nome de São Francisco.

Mais ainda: há comportamentos, símbolos, idéias e sonhos que reportam naturalmente a São Francisco como se ele próprio fosse seu autor. E isso não sem razão, porque ele continua a viver como arquétipo nas mentes e nos corações das pessoas e de muitos movimentos culturais, na não-violência, na fraternidade universal, na jovialidade, no amor aos animais e na ecologia, expressões importantes da busca espiritual da cultura de nossa época.

Existe uma espiritualidade franciscana difusa no espírito de nosso tempo, nascida da experiência de Francisco, de Clara e de seus primeiros companheiros. Trata-se do caminho da simplicidade, da descoberta de Deus na natureza, do amor singelo a todas as criaturas, da confiança quase infantil na bondade das pessoas e na imperturbável alegria, mesmo em face dos dramas mais pungentes da vida humana.

A Oração pela Paz também chamada de Oração de São Francisco constitui uma das cristalizações desta espiritualidade difusa. Ela não provém diretamente da pena do Francisco histórico, mas da espiritualidade do São Francisco da fé. Ele é seu pai espiritual e por isso seu autor no sentido mais profundo e abrangente desta palavra. Sem ele, com certeza, essa Oração pela Paz jamais teria sido formulada nem divulgada e muito menos teria se imposto como uma das orações mais ecumênicas hoje existentes. Ela é rezada por fiéis de todos os credos e por professantes de todos os caminhos espirituais.

Ela tem o condão de unir a todos num mesmo espírito de paz e de amor. Por um momento faz sentir que todos somos de fato irmãos e irmãs na grande família humana e cósmica e também filhos e filhas da família divina.

Vamos aprofundar o teor dessa Oração pela Paz para revelar sua riqueza insuspeitada e para despertar o Francisco e a Clara que dormem dentro de cada um de nós (por Leonardo Boff).

Referências:

BANDEIRA, Manuel. Meus poemas preferidos. São Paulo: Ediouro, 2002.

BOFF, Leonardo. A Oração de São Francisco: uma mensagem de paz para o mundo atual. Rio de Janeiro: Sextante, 1999.


POEMA FALADO – ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO PELA PAZ




domingo, 16 de agosto de 2009

Colabaroção de Coccienelle



ELOGIO DO PECADO
(Bruna Lombardi)

Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza
você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.
É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa
Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.

domingo, 2 de agosto de 2009

Poema Falado.



Um poema é mais que um poema. Um poema é a senha que nos permite acessar o recôndito das almas, seja a alma de quem o escreve, seja a alma de quem o aprecia. Os poemas nos revelam. Vamos, pois, revelarmo-nos através dos poemas falados que doravante o Bienvenue-Ami outros dois blogs, O cantinho de Coccinelle e o Salvador na sola do pé, apresentarão sempre no primeiro domingo de cada mês. Pretendemos formar uma rede tecida por versos e sons magníficos, afinal, como disse o Carlos Drummond de Andrade, “uma pessoa que tem hábitos intelectuais ou artísticos, uma pessoa que gosta de ler nunca está sozinha. Ela terá sempre uma companhia: a companhia imensa de todos os artistas, todos os escritores que ela ama, ao longo dos séculos”. Se quiser fazer parte dessa rede é só entrar em contato. O primeiro poema da série que hoje se inaugura é o Smile, letra composta por John Turner e Geoffrey Parsons para a música do Charles Chaplin. No Brasil ela foi lindamente traduzida por João de Barro, o Braguinha, nome fundamental da música brasileira. É esta tradução que aparece no vídeo abaixo. Boa leitura!



SORRI (SMILE)











Sorri quando a dor te torturar

E a saudade atormentar

Os teus dias tristonhos vazios



Sorri quando tudo terminar

Quando nada mais restar

Do teu sonho encantador



Sorri quando o sol perder a luz

E sentires uma cruz

Nos teus ombros cansados doridos



Sorri vai mentindo a tua dor

E ao notar que tu sorris

Todo mundo irá supor
Que és feliz!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Colaboração de Coccinelle


POÉTICA

(Vinícius de Moraes)

De manhã escureço

De dia tardo

De tarde anoiteço

De noite ardo.

A oeste a morte

Contra quem vivo

Do sul cativo

O oeste é meu norte.

Outros que contem

Passo por passo:

Eu morro ontem Nasço amanhã

Ando onde há espaço:

Meu tempo é quando.

domingo, 1 de março de 2009

Colaboração de Coccienelle



Elegia a uma pequena borboleta
(Cecília Meireles)

Como chegavas do casulo,
- inacabada seda viva! -
tuas antenas - fios soltos
da trama de que eras tecida,
e teus olhos, dois grãos da noite
de onde o teu mistério surgia,

como caíste sobre o mundo
inábil, na manhã tão clara,
sem mãe, sem guia, sem conselho,
e rolavas por uma escada
como papel, penugem, poeira,
com mais sonho e silêncio que asas,

minha mão tosca te agarrou
com uma dura, inocente culpa,
e é cinza de lua teu corpo,
meus dedos, sua sepultura.
Já desfeita e ainda palpitante,
expiras sem noção nenhuma.

Ó bordado do véu do dia,
transparente anêmona aérea!
Não leves meu rosto contigo:
leva o pranto que te celebra,
no olho precário em que te acabas,
meu remorso ajoelhado leva!

Choro a tua forma violada,
miraculosa, alva, divina,
criatura de pólen, de aragem,
diáfana pétala da vida!
Choro ter pesado em teu corpo
que no estame não pesaria.

Choro esta humana insuficiência:
_ a confusão dos nossos olhos,
- o selvagem peso do gesto,
- cegueira - ignorância - remotos
instintos súbitos - violências
que o sonho e a graça prostram mortos.

Pudesse a etéreos paraísos
ascender teu leve fantasma,
e meu coração penitente
ser a rosa desabrochada
para servir-te mel e aroma,
por toda a eternidade escrava!

E as lágrimas que por ti choro
fossem o orvalho desses campos,
- os espelhos que refletissem
_ vôo e silêncio - os teus encantos,
com a ternura humilde e o remorso
dos meus desacertos humanos!

BORBOLETA PEQUENINA

Pastoril de Natal muito popular, de domínio público, cantado em várias regiões do Brasil, sobretudo no interior do Nordeste, no período de louvor ao Menino Jesus.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Colaboração de Coccienelle

Ao enviar para Papi o vídeo-poema Blanco cantado pela Marisa Monte, não podia imaginar que ele daria origem a outro belo poema. Explico-me. Ao comentar o vídeo-poema TRANSBLANCO que fiz especialmente para o blog da Papi, a Bel, com sua enorme sensibilidade, postou o seguinte comentário:
"Um enigma! Vejo minhas mãos, meus pés e pernas mas não consigo enxergar meus próprios olhos, minha face, minha expressão de dor e alegria...não meus olhos não enxergam a si mesmos sem a ajuda do outro... "Me vejo no que vejo" refúgio seguro é a casa aberta! Seja bem vinda!! Rsrsrs"
Diante de tão belas palavras, o que fazer? Como sou uma joaninha atrevidinha, transformei o comentário da Bel em um poema falado.


Bienvenue
(por BEL)

Vejo minhas mãos,
Meus pés e pernas
Mas não consigo enxergar meus próprios olhos,
Minha face,
Minha expressão de dor e alegria...
Não! Meus olhos não enxergam a si mesmos sem a ajuda do outro...
“Me vejo no que vejo”
Refúgio seguro é a casa aberta!
Bienvenue!!

Produzi esse clipe especialmente para a BEL e para o Blog da Papi.
Beijos de Coccinelle para ambas.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Colaboração de Coccienelle

Aceitei o desafio de Papi e envio meu olhar sobre os versos recitados pela bela voz da Grazi (que não é Massafera, graças a Deus!). É poema para ver e ouvir. É Poema Falado. Espero que gostem desse Horizontes. Papi, você já sabe como colocar vídeo no blog. Um abraço




terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Colabaroção de Coccienelle

Depois de duas semanas sem colaborar com o Bienvenue-Ami, senti-me na obrigação de presentear Papillon com um belo poema na sua versão escrita, para ser lido no tempo de cada um, e depois na versão áudio-visual, para ser ouvido e visto. Trata-se de uma reflexão minha sobre as palavras do Octavio Paz e a música da Marisa Monte. Existem outras reflexões possíveis. Seria ótimo se cada um que frequenta esse espaço contribuisse com a sua reflexão. A proposta está feita. Voilá!



Blanco

(Autor: Octavio Paz / Tradução: Haroldo de Campos)

Me vejo no que vejo
Como entrar por meus olhos
Em um olho mais límpido

Me olha o que eu olho
É minha criação
Isto que vejo

Perceber é conceber
Águas de pensamentos
Sou a criatura
Do que vejo

Transblanco - uma reflexão
(clipe produzido por Coccinelle - http://www.jesuiscoccinelle.blogspot.com/)

Poema na versão áudio-visual, para ser ouvido e visto.





domingo, 18 de janeiro de 2009

Colabaroção de Coccienelle


Balada do Louco
(Arnaldo Baptista / Rita Lee)

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Colabaroção de Coccienelle




O SONHO
(Pedro Ayres Magalhães)

Quem contar
um sonho que sonhou
não conta tudo que encontrou
Contar um sonho é proibido

Eu sonhei
um sonho com amor
e uma janela e uma flor
uma fonte de água e o meu amigo

E não havia mais nada...
só nós, a luz e mais nada...
Ali morou o amor

Amor,
que trago em segredo
num sonho que não vou contar
e cada dia é mais sentido

Amor,
eu tenho um amor bem escondido
num sonho que não sei contar
e guardarei sempre comigo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

De Coccinelle para Bienvenue-Ami.



O MUNDO É GRANDE
(Carlos Drummond de Andrade)

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

(do livro AMAR SE APRENDE AMANDO)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Colabaroção de Coccienelle





Quero dedicar esse Poemeto Erótico do Manuel Bandeira a ela que brilha, que fascina e que cheira feito uma flor de laranjeira em botão. Ela que tem pela macia e mora no meu coração. Para você Peh Noir, de Coccinelle.

Poemeto Erótico
(Manuel Bandeira)

Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...

Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...
Teu corpo branco e macio
É como um véu de noivado...

Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...

Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...
Volúpia de água e da chama...

A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...Rosa, flor de laranjeira...

domingo, 23 de novembro de 2008

Colabaroção de Coccienelle




Segue abaixo um conto retirado do livro CUENTOS PARA PENSAR, do escritor-psicanalista argentino Jorge Bucay. Esse é o meu conto preferido, o que mais me emociona. Espero que apreciem.


O BUSCADOR


Esta é a história de um homem que poderia ser chamado de Buscador. Um buscador é alguém que busca, não necessariamente alguém que encontra. Tampouco é alguém que sabe o que está procurando. É simplesmente alguém cuja vida é uma eterna busca.


Certo dia, o buscador sentiu que deveria ir para o povoado de Kammir. Ele havia aprendido a ouvir sua intuição. Assim, deixou tudo e partiu.


Depois de dois dias trilhando caminhos poeirentos, ele avistou Kammir, ao longe. Um pouco antes de chegar ao povoado, uma colina à sua direita lhe chamou a atenção. Estava recoberta por um verde maravilhoso e havia muitas árvores, pássaros e flores encantadoras; era rodeada por uma espécie de cerca pequena de madeira lustrada. Uma porta de bronze cerrava a entrada. Prontamente, esqueceu o povoado e sucumbiu perante a tentação de descansar por um momento naquele lugar.


O buscador atravessou o portão e começou a caminhar lentamente entre as pedras brancas que estavam aleatoriamente dispostas entre as árvores. Deixou seus olhos pousarem como mariposas em cada detalhe daquele paraíso.


Seus olhos eram olhos de um buscador e talvez por isso descobriram, sobre uma das pedras, a seguinte inscrição:


ABDUL TAREG, viveu 8 anos, 6 meses, 2 semanas e 3 dias.


Surpreendeu-se ao se dar conta de que aquela pedra não era uma pedra qualquer, mas sim uma lápide. Sentiu pena ao pensar que um garoto de tão pouca idade estava enterrado naquele lugar. Observando ao seu redor o buscador se deu conta de que a pedra ao lado também tinha uma inscrição que dizia:



YAMIR KALIB, viveu 5 anos, 8 meses e 3 semanas.



O buscador se sentiu terrivelmente comovido. Aquele lugar tão bonito era um cemitério e sob cada pedra havia uma tumba. Uma por uma leu as lápides. Todas tinham inscrições similares. Um nome e o tempo de vida exato do falecido. Para seu espanto, a pessoa mais velha ali enterrada tinha pouco mais de onze anos. Tomado por uma grande dor, sentou-se e pôs-se a chorar.


O administrador do cemitério que por ali passava, aproximou-se. Vendo-o chorar, perguntou-lhe se chorava por algum parente.


– Não! Nenhum parente, disse o buscador. O que aconteceu a esse povo? Que coisa terrível se abateu sobre esta cidade? Por que tantas crianças mortas enterradas neste lugar? Que horrível maldição pesa sobre esse povo que o obrigou a construir um cemitério só para crianças?


O administrador do cemitério sorriu e disse:


– Calma. Não existe maldição nenhuma. Acontece que aqui temos um velho costume. Quando um jovem completa quinze anos, seus pais o presenteiam com uma caderneta, como esta que trago pendurada ao pescoço. É uma tradição entre nós que a partir daí, cada vez que desfrutamos intensamente de algo, abrimos a caderneta e anotamos na margem esquerda o que foi desfrutado; na margem direita, quanto tempo durou o gozo que tal desfrute proporcionou. Conheceu uma garota e se apaixonou por ela. Quanto tempo durou essa paixão e o prazer em conhecê-la? A emoção do primeiro beijo. Quanto durou? Um minuto e meio? Dois dias? Uma semana? E a gravidez ou o nascimento do primeiro filho? E as festas com os amigos? E a viagem mais desejada? E o reencontro com o irmão que retorna de um país distante? Quanto tempo durou o desfrutar dessas situações? Horas? Dias? Assim, vamos anotando na caderneta cada momento que desfrutamos. Quando alguém morre, é nosso costume, abrir sua caderneta para somar o tempo desfrutado a fim de escrevê-lo sobre sua tumba, porque esse é, para nossa tradição, o único e verdadeiro tempo vivido.



Jorge Bucay (In: Cuentos para pensar). Tradução Coccinelle (http://www.jesuiscoccinelle.blogspot.com/)


Coccinlle pregunta: ¿Cuanto tiempo hemos vivido?

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Esse Poema é Colabaroção de Coccienelle




GOVERNAR


(Carlos Drummond de Andrade)


Os garotos da rua resolveram brincar de Governo, escolheram o Presidente e pediram-lhe que governasse para o bem de todos.
- Pois não - aceitou Martim. - Daqui por diante vocês farão meus exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a minha segurança. Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará o meu lanche.
- Com que dinheiro? - atalhou Januário.
- Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a caixinha do Governo.
- E o que é que nós lucramos com isso? - perguntaram em coro.
- Lucram a certeza de que tem um bom Presidente. Eu separo as brigas, distribuo tarefas, trato de igual para igual com os professores. Vocês obedecem, democraticamente.
- Assim não vale. O Presidente deve ser nosso servidor, ou pelo menos saber que todos somos iguais a ele. Queremos vantagens.
- Eu sou o Presidente e não posso ser igual a vocês, que são presididos. Se exigirem coisas de mim, serão multados e perderão o direito de participar da minha comitiva nas festas. Pensam que ser Presidente é moleza? Já estou sentindo como este cargo é cheio de espinhos.
Foi desposto e dissolvida a República.

domingo, 9 de novembro de 2008

MOMENTOS NATIVOS




Walt Whitman
(Tradução: Coccinelle)

Momentos nativos – quando vens a mim – ah vós que aqui estais agora,
Dai-me neste instante tão somente diversões libidinosas,
Banhai-me com o líquido de minhas paixões, dai-me uma vida áspera e rançosa,
Ao dia eu me uno aos elementos da natureza, também noite a fora,
Eu estou para aqueles que acreditam em deleites livres, eu participo das orgias noturnas dos jovens varões,
Eu danço com os dançarinos e bebo com os beberrões,
Os ecos ressoam nossos clamores indecentes, eu escolho alguém frágil para meu amigo querido,
Ele deve ser delinqüente, rude, iletrado, deve ser alguém condenado pelos outros por suas faltas,
Não mais interpretarei papel algum, por que devo exilar-me de meus companheiros?
Oh vocês, marginais de toda espécie, eu não os evito,
Eu estou entre vocês, eu serei vosso poeta,
Estarei para vós mais que para os outros.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008




A contribuição de Coccinelle para o blog‏.
Um verso que é pura lascívia dedicado a BEL.

Como Adão ao amanhecer

Como Adão ao amanhecer
Deixando a sombra dos arvoredos, refrescado pelo sono,
Observa-me quando eu passar, ouça minha voz, aproxima-te
Toca-me, coloca a palma da tua mão sobre meu corpo quando eu passar
Não tenhas receio de meu corpo.

Walt Whitman (Folhas da relva / Leaves of grass). Tradução Coccinelle.